Fenômica revela história evolutiva das abelhas que o DNA não conta
O Jornal da USP destacou dois trabalhos conduzidos pelo Laboratório de Biologia Comparada e Abelhas da FFCLRP, coordenado pelo professor Eduardo Almeida, publicados no Bulletin of the American Museum of Natural History.
Como reconstruir a história evolutiva das abelhas? Essa foi a pergunta que deu origem às pesquisas. Para respondê-la, os pesquisadores analisaram centenas de características da anatomia externa e interna de abelhas atuais e fósseis, considerando também as relações de parentesco entre as espécies.
Os estudos mostram como a fenômica — o estudo sistemático das características observáveis dos organismos — pode complementar as informações obtidas pelo DNA e revelar aspectos da evolução que não aparecem apenas nos dados genéticos.
A pesquisa contou com a Coleção Entomológica Professor J. M. F. Camargo da FFCLRP, um dos mais importantes acervos do mundo para o estudo das abelhas-sem-ferrão. Iniciada na década de 1960 pelo pesquisador João Maria Franco de Camargo, a coleção reúne centenas de milhares de exemplares coletados ao longo de décadas de pesquisa.
A principal contribuição dos estudos está em uma abordagem integrada do organismo: em vez de analisar características morfológicas isoladamente, a equipe reuniu centenas de informações anatômicas e as analisou em conjunto. A abordagem amplia as possibilidades de reconstruir a história evolutiva das abelhas e demonstra o potencial da fenômica como complemento à genômica.
Veja a matéria no Jornal da USP e os trabalhos:
- Comparative Morphology of the Stingless Bees (Apidae, Meliponini) and Its Phylogenetic Relevance
- Comparative skeletal morphology of the bees (Hymenoptera, Apoidea) : a phylogenetic perspective (Bulletin of the American Museum of Natural History, no. 482)
